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domingo, 1 de abril de 2012

Salvaguarda

Eu relutei um pouco para escrever mas acho que devo expressar minha opinião.


Está acontecendo uma revolução no mundo do vinho, e infelizmente de uma forma muito negativa.

Para quem não está a par da salvaguarda consulte o site: http://www.vinhoedelicias.com.br/2012/03/jancis-robinson-importacao-brasileira.html

Essa matéria explica muito bem o que está acontecendo.

Para falar um pouco da Salvaguarda farei um paralelo com a indústria têxtil (em que trabalhei muitos anos como administradora).

Meu avô tinha uma indústria têxtil há mais de 40 anos atrás, ele foi um visionário, trouxe novidades como o lençol vapt-vulpt (aquele com elástico) que não existia no Brasil.

Nessa época a indústria têxtil no Brasil não tinha a concorrência de hoje e atuava no mercado como lhes era conveniente. O senhor Zé que tinha uma lojinha no interior encomendava 2 rolos do tecido X cor vermelha, 3 do tecido Y cor verde, e 1 do tecido Z cor cinza; ele recebia o pedido todo trocado, diferente do solicitado, o que fazia? Nada.

Não existiam opções, se o senhor Zé devolvesse o pedido demoraria meses para receber o pedido, e provavelmente não seria novamente o que pediu.

Quando o Collor abriu o mercado o que aconteceu? A maioria das indústrias têxteis faliram, elas não tinham se estruturado para a concorrência (principalmente da China).

O mercado tinha que abrir (um pouco mais lentamente, é verdade), mas a globalização já estava acontecendo no mundo.



Voltando para a Salvaguarda: imagine hoje com o mercado global, as importações e exportações aceleradas, os brasileiros aumentando o consumo de vinhos no Brasil diariamente, as importadoras, as lojas, os restaurantes, produtores, entre outros, se dedicando para difundir o vinho para que todos possam conhecer e o consumo aumentar, investindo maciçamente em feiras, palestras, degustações, etc.; e todo esse trabalho dando frutos com os percentuais de vendas aumentando e atingindo um público cada vez maior.

As associações de vinhos do RS e algumas pessoas de lá, de repente resolvem solicitar ao governo que restrinja a entrada de vinhos importados no Brasil impondo cotas e aumentando os impostos.

Ou seja: estão querendo limitar o mercado e voltar aos tempos em que não haviam opções de escolha dentro do país.

Qual está sendo o reflexo desse ato repentino? Alguns países (como Portugal) que trazem vinho para cá estão ameaçando retaliar os produtos Brasileiros exportados como café, entre outros, que com certeza impactará muito o mercado interno, o trabalho da ABS e sommeliers para formalizar a profissão está ameaçada, pois para que sommelier com poucas opções no mercado? Vários restaurantes e lojas estão tirando os vinhos brasileiros (os que participaram desse conluio) de suas cartas de vinho e da cozinha dos restaurantes (o volume da cozinha é muito maior do que do salão) como protesto a esse retrocesso, pessoas muito conceituadas internacionalmente estão criticando a atitude do Brasil.



Fica a pergunta que não quer calar: por que não brigar para reduzir os impostos do vinho brasileiro ao invés de aumentar o imposto dos importados?

Outra questão: se o terroir e a tecnologia do Brasil para produzir bons espumantes estão se mostrando adequados e os espumantes estão cada vez mais admirados mundialmente, por que não investir e se especializar nesse nicho? O Brasil como país festivo, de praias, calor, o espumante é a cara do país. Além disso é muita pretensão comparar o vinho tranquilo do Brasil ao da Europa se lembrarmos de quanto tempo faz que eles produzem vinhos, tem hábito de acompanhar a comida com vinho, e tem terroir adequado.

Quando acabar esse retrocesso vamos consumir espumantes brasileiros, incentivar seu consumo, investir em qualidade e estrelar como país que produz bons espumantes.

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