Minha história

Minha primeira aventura na cozinha foi aos 10 anos. Lembro até hoje da cara do meu pai se vendo obrigado a comer o bolo de Sucrilhos com Nescau e outros ingredientes que eu fiz. Com certeza o resultado não era bom.
Me lembro de sempre estar na cozinha atrás das minhas avós. Vivia perguntando o que estavam fazendo.
Mas os sabores da minha infância têm origem na minha Bisavó Duca. Quando tinha 6 anos de idade já ia com um dos meus irmãos à casa dela antes do almoço. Ela nos enchia de guloseimas mesmo com a minha mãe reclamando que não íamos almoçar. Bisavó Duca continuava nos alimentando e dizia: “Tadinhos, eles pediram...”
Minha bisa teve uma pensão e deixou o filho dela, o meu avô, bem mal acostumado. Por esse motivo a mulher que se casou com ele e minha avó foi obrigada a manter os vícios. Na casa da Vó Mari e do Vô Carlos eram obrigatórios pastel de carne e empada de camarão todos os sábados. Obviamente era a própria Vó Mari quem fazia as massas. Quase sempre havia os inesquecíveis bombocados, que ela escondia em cima da geladeira, e o indescritível bolo formigueiro.
Do lado do meu pai, a Vó Luiza era a típica nona italiana.
Aos domingos a família se reunia. A vó servia como aperitivos palitos de cenoura crua e de pepinos, tomates, rabanetes e nabo, tudo temperado com limão, azeite e sal. O prato principal seguia a tradição da família: macarrão com molho de tomate caseiro, carne assada ou de panela, uma farta bacia de salada de folhas, além da deliciosa batata cozida e frita.
Passávamos o domingo comendo e jogando baralho. Mesmo após o lauto almoço, as guloseimas continuavam a ser preparadas e degustadas. No finalzinho da tarde geralmente comíamos o queijo fresco que meu avô fazia, o bolo de fubá com goiabada, a paçoca também feita em casa e servida com café, além de um tipo de bolinho de chuva chamado Cueca Virada.
E a aventura gastronômica do domingo não parava aí. Para finalizar, depois da missa, consumíamos a tradicional sopinha...
A tradição de rechear a mesa para servir a família continuou na casa da minha mãe. Eram marcantes os lanches homéricos que ela servia com pães e biscoitos caseiros, queijos e frios, patê de beterraba, suco de abacate, café e várias outras delícias. 

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